JARDIM
DE SONHOS.
Numa manhã, acordei. Olhei. Fazia sol. Saí de casa. Dentro, deixei meu
tesouro.
No mesmo instante, começou a chover – assim, de repente.
Voltei para casa. A porta, trancada por dentro. Minha chave já não servia.
Fiquei preso, sem capa, sem guarda, na chuva.
E choveu. E choveu. E choveu. Choveu tanto que pensei que ia faltar
água no céu.
Mas um dia, parou de chover – assim, de repente.
Eu ainda estava encharcado. Resfriado. Enfriorado. Com medo de
trovões. Ninguém vê nada direito nessas condições...
Sem chuva, porém, minha roupa secou. O resfriado sarou. O frio esquentou.
E os trovões... Bem, ainda tenho medo... Ninguém é perfeito.
Mas agora via melhor. Olhei para baixo e notei uma poça de barro e lodo.
A chuva me tinha lavado da sujeira dos anos.
Agora podia correr. Agora podia plantar.
Olhei para a porta. Fechada. Lacrada. Selada. Dentro estava meu
tesouro.
Reclamei. Implorei. Esbravejei. Trovejei.
Nada. A porta, ao contrário de mim, não tinha medo de trovões...
Nada. A porta, ao contrário de mim, não tinha medo de trovões...
Então sentei. Quieto. Reto. Desperto. Liberto. Podia ir, mas... Dentro estava
meu tesouro.
Não tinha a chave. Não podia entrar. Decidi plantar. Plantei. Plantei todos
os meus sonhos ao redor da casa.
Se um dia a porta se abrir, vou levar o meu tesouro para passear
no jardim.
Se nunca a porta se abrir, não se poderá dizer que foi por falta de
sonhos.
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